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Carbon Free Summit 2025: o futuro da descarbonização em pauta

Como o maior evento de descarbonização corporativa do Brasil reuniu ciência, inovação e estratégias reais rumo ao net zero.
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No dia 24 de julho de 2025, o Cubo Itaú, em São Paulo, recebeu lideranças empresariais, especialistas em clima, investidores e organizações comprometidas com um futuro de baixo carbono para a edição do Carbon Free Summit 2025.

Com um auditório lotado, o evento reforçou o papel da Carbon Free Brasil como referência nacional em estratégias de descarbonização corporativa. Além disso, mostrou que o compromisso com o clima não é mais uma tendência: é um imperativo para quem deseja crescer com responsabilidade e relevância nos próximos anos.

Mais do que apresentar soluções, o Summit proporcionou um espaço de escuta, conexão e construção coletiva. A seguir, reunimos os principais destaques dos conteúdos apresentados ao longo do dia.

A emergência climática como ponto de partida

O Carbon Free Summit 2025 começou com um alerta contundente: não há mais tempo a perder.

Na palestra de encerramento, o climatologista Carlos Nobre — referência global em ciência do clima e membro do Comitê Diretor Conjunto (JSC) do Programa Mundial de Pesquisa Climática (WCRP) e do Conselho Econômico sobre Saúde Planetária da Fundação Rockfeller — trouxe dados alarmantes: o planeta já atingiu, ainda que temporariamente, o limite de 1,5 °C de aquecimento previsto pelo Acordo de Paris. A meta, que antes era considerada um horizonte para 2050, foi alcançada em 2023, colocando o mundo em uma rota acelerada para impactos irreversíveis.

O cientista detalhou os principais pontos de não retorno, como o risco de savanização da Amazônia, o colapso dos recifes de corais e a interrupção das correntes marítimas profundas. Ele reforçou que o Brasil tem papel central na resposta climática global. Segundo Nobre, com investimentos coordenados em restauração florestal, transição energética e economia regenerativa, o país pode atingir emissões líquidas zero até 2040.

“A COP30 será no Brasil. Temos uma chance histórica de liderar com exemplo e colocar a floresta, a ciência e a justiça climática no centro do debate global”, afirmou.

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Carlos Nobre no Carbon Free Summit 2025.

Estratégias reais de descarbonização na prática

Entre os principais temas debatidos no Carbon Free Summit, o Escopo 3 — que engloba as emissões indiretas da cadeia de valor — foi destaque. Empresas compartilharam experiências reais sobre como têm mapeado suas emissões, engajado fornecedores e estabelecido métricas para mitigar impactos.

O desafio do escopo 3 e o papel dos fornecedores

Empresas como Engie, Schneider, Natura e RD Saúde compartilharam seus programas de engajamento com fornecedores — com foco na coleta de dados primários, elaboração de inventários de GEE e metas de redução baseadas na ciência.

A Engie, por exemplo, desenvolveu um diagnóstico de maturidade climática para mapear gargalos e oferecer suporte técnico à sua cadeia. Já a Schneider atrela metas climáticas à remuneração da alta gestão e investe em plataformas digitais para rastrear emissões e apoiar a tomada de decisão em escala.

Em seguida, a Natura destacou a importância de granularidade e dados de qualidade, com mapeamento de mais de 4 mil insumos e análise financeira de projetos com base no VPL do carbono.

Em comum, todas apontaram um desafio transversal: a confiança e o engajamento dos parceiros. Sem cooperação e alinhamento estratégico, a descarbonização da cadeia não se sustenta.

Inovação regulatória e padrões climáticos

Outro ponto forte do Summit foi o debate sobre novas regulações climáticas e padrões de medição de emissões, com destaque para os setores de energia, logística e agro.

O pesquisador Daniel Vargas (FGV) trouxe uma análise sobre o avanço da agenda regulatória no Brasil, especialmente após a sanção da Política Nacional de Mudança do Clima e os projetos de lei que tratam do mercado de carbono nacional.

“Estamos saindo da era do voluntariado para uma era regulada. Empresas que se anteciparem a esse movimento terão vantagens competitivas reais.”

Na mesma linha, a Bayer apresentou sua nova calculadora de emissões para culturas agrícolas, uma ferramenta que mede emissões com base em práticas adotadas no campo. Ela pode também destravar mercados internacionais e recompensas financeiras para produtores que manejam de forma regenerativa.

Já a eureciclo trouxe dados primários coletados em mais de 500 cooperativas de triagem, mostrando que resíduos sólidos representam até 25% das emissões em centros urbanos. A startup mapeia emissões associadas à logística reversa e transforma informações em planos de ação para as empresas.

Propósito como vetor de inovação e valor

Muito além de mitigar impactos, o Summit evidenciou como marcas estão utilizando a sustentabilidade como motor de inovação, engajamento e posicionamento.

Nesse sentido, a PremieRpet mostrou como incorporou os princípios ESG desde sua fundação, com fábricas movidas a energia solar, rastreabilidade nas exportações e mais de 5 mil adoções responsáveis viabilizadas. Dessa forma, a empresa agora amplia sua atuação para o consumidor final (B2C), reforçando um discurso de cuidado que vai além do produto.

Logo depois, a Yattó, por sua vez, deu uma aula de circularidade — mostrando como transforma resíduos complexos em valor socioambiental, envolvendo cooperativas de catadores, marcas como Danone e Boticário, e tecnologias para reaproveitamento de embalagens.

Juliana Frota, gerente de sustentabilidade na Weleda, finaliza o painél com uma reflexão muito importante:

“A sustentabilidade e a comunicação devem nascer de dentro, com clareza e engajamento interno. É como jogar uma pedra no rio: a mensagem começa no centro e vai se expandindo em ondas. A comunicação precisa ser sólida dentro de casa para, então, chegar ao consumidor de forma genuína. E o mais importante: não diga o que você não pode comprovar. A mensagem tem que ser verdadeira, embasada e coerente com as práticas da empresa.”

Mais do que nunca, é preciso usar o marketing de forma inteligente: como uma ferramenta de construção de confiança, propósito e impacto real.

Conexões que inspiram movimento

Ao longo do dia, o Carbon Free Summit 2025 foi marcado por diálogos francos e encontros potentes. De CEOs a cientistas, de marcas consolidadas a startups em crescimento, o evento conectou quem já entendeu que descarbonizar é mais do que uma escolha ética — é uma estratégia de futuro.

Com a COP30 se aproximando, o Brasil terá os olhos do mundo voltados para sua capacidade de liderar com coerência. O Summit reforça que esse protagonismo já está em construção — e que ele passa pela união entre governo, empresas, sociedade e ciência.

A Carbon Free Brasil segue firme em sua missão de acelerar esse movimento, oferecendo inteligência climática, estratégia e soluções reais para transformar compromisso em impacto.

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