O Escopo 2 corresponde às emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) associadas à energia adquirida e consumida pelas organizações. Embora essas emissões não ocorram diretamente nas operações da empresa, elas estão presentes no consumo de eletricidade utilizado para manter atividades como iluminação, climatização, funcionamento de equipamentos e processos produtivos.
Quando se fala em emissões corporativas, é comum que a atenção esteja voltada para fontes mais visíveis, como veículos, caldeiras ou processos industriais. No entanto, a energia consumida diariamente também gera impactos climáticos que as empresas precisam considerar. Afinal, toda eletricidade utilizada pela organização passou por um processo de geração que possui emissões associadas, ainda que elas ocorram fora dos limites operacionais da empresa.
Por esse motivo, o Escopo 2 ocupa um papel importante no inventário de emissões de GEE e nas estratégias de descarbonização. Mesmo organizações que não possuem fontes diretas relevantes de emissão podem apresentar impactos significativos relacionados ao consumo energético, tornando o monitoramento dessas emissões uma etapa fundamental para a gestão climática, a definição de metas ESG e a construção de planos de redução de carbono.
O que é o Escopo 2?
O Escopo 2 corresponde às emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) associadas à energia adquirida e consumida por uma organização. As operações da empresa não geram essas emissões diretamente, mas o processo de produção da energia utilizada em suas atividades as produz.
De acordo com o Programa Brasileiro GHG Protocol, o Escopo 2 inclui principalmente a energia elétrica adquirida da rede, mas também pode abranger outras formas de energia fornecidas por terceiros, como vapor, aquecimento e refrigeração.
Mesmo empresas que não possuem fontes diretas relevantes de emissão podem apresentar impactos climáticos associados ao consumo energético. Por isso, o Escopo 2 é uma das categorias fundamentais para a elaboração de um inventário de emissões de GEE e para a construção de estratégias de descarbonização.
Por que o Escopo 2 é considerado uma emissão indireta?
Ao contrário do Escopo 1, em que as emissões acontecem diretamente nas operações da empresa, no Escopo 2 os gases de efeito estufa são emitidos por terceiros responsáveis pela geração da energia consumida. Ou seja, embora a organização utilize eletricidade para manter suas atividades, as emissões ocorrem fora de seus limites operacionais, no sistema responsável pelo fornecimento energético.
Na prática, um escritório pode não emitir gases de efeito estufa (GEE) diretamente em suas atividades diárias, mas a eletricidade utilizada para iluminação, computadores e climatização possui emissões associadas ao sistema elétrico que a gerou. Já quando a empresa utiliza um gerador próprio movido a diesel, por exemplo, as emissões passam a ser classificadas como Escopo 1, pois ocorrem dentro dos limites operacionais da organização.
Tabela Comparativa Escopo 1 X Escopo 2

Categorias de emissões do Escopo 2
De acordo com o Programa Brasileiro GHG Protocol, as principais fontes contabilizadas incluem:
- Aquisição de energia elétrica: emissões relacionadas à aquisição de energia elétrica;
- Aquisição de energia térmica: emissões relacionadas ao consumo de energia térmica gerada por terceiros, como vapor, aquecimento ou refrigeração;
- Perdas por transmissão e distribuição (T&D): emissões relacionadas à parcela de energia elétrica perdida pelos sistemas de transmissão e distribuição, sendo aplicável somente às organizações que possuem tais sistemas em suas operações.
O Escopo 2 pode incluir qualquer fonte energética que a organização consuma, desde que terceiros a gerem. Isso significa que, embora a empresa não realize diretamente a geração da energia, ela é responsável pelas emissões associadas ao seu consumo, devendo contabilizá-las no inventário de GEE.
Abordagens de contabilização do Escopo 2
Location-based x Market-based: qual a diferença?
Duas abordagens reconhecidas internacionalmente permitem contabilizar o Escopo 2:
Abordagem baseada na localização (location-based)
Considera o fator médio de emissão do sistema elétrico que abastece a organização. Ou seja, as emissões são calculadas com base na média de geração da eletricidade de um determinado sistema elétrico, como o Sistema Interligado Nacional (SIN), no caso do Brasil, refletindo o perfil médio de emissões associado ao consumo de energia no local onde a empresa está inserida.
Abordagem baseada na escolha de compra (market-based)
Considera a origem específica da eletricidade adquirida pela organização. Nesse caso, o cálculo utiliza fatores de emissão associados às fontes de geração escolhidas pela empresa, sendo necessária a comprovação e rastreabilidade da origem energética. Essa abordagem permite que o inventário reflita diretamente a composição da eletricidade adquirida pela organização, independentemente do fator médio do sistema elétrico onde ela está inserida.
No PBGHGP, o relato pela abordagem location-based é obrigatório, enquanto a abordagem market-based é voluntária e complementar. Isso porque, independentemente da contratação de energia renovável ou da aquisição de atributos ambientais, a eletricidade consumida continua sendo entregue fisicamente pela rede elétrica. Dessa forma, o relato location-based permanece obrigatório por representar as emissões efetivamente associadas ao sistema elétrico que abastece a empresa.
Quando é possível reportar pela abordagem market-based?
A abordagem market-based pode ser utilizada quando a organização possui informações rastreáveis sobre a origem da eletricidade adquirida, permitindo que o inventário reflita suas escolhas de compra energética.
No caso de empresas inseridas no mercado regulado (cativo), o reporte pode ser realizado por meio da aquisição de Certificados Internacionais de Energia Renovável (I-REC), atualmente realizado por meio do Instituto Totum, que comprovam que uma quantidade equivalente de energia proveniente de fontes renováveis foi gerada e injetada no sistema elétrico.
Já para organizações do mercado livre de energia, o reporte pode considerar a própria contratação de energia proveniente de fontes específicas, desde que exista comprovação da origem energética conforme os critérios metodológicos e de rastreabilidade do PBGHGP. Em alguns casos, as empresas também podem utilizar instrumentos complementares, como os I-RECs, para fortalecer a rastreabilidade dos atributos ambientais.

O que acontece quando uma empresa adquire um I-REC?
Ao adquirir um I-REC, a organização não passa a receber fisicamente uma eletricidade diferente da rede elétrica. O que ocorre é a aquisição dos atributos ambientais associados à geração renovável equivalente ao seu consumo energético. Isto é, o certificado comprova que uma quantidade correspondente de eletricidade proveniente de fontes renováveis foi gerada e vinculada à empresa para fins de reporte ambiental.
Esse mecanismo evita a dupla contagem dos atributos ambientais, garantindo que o benefício associado àquela geração renovável seja reivindicado por apenas uma organização. Após sua utilização, o certificado é aposentado (retired) no sistema de rastreabilidade, assegurando transparência, exclusividade e integridade no reporte das emissões.
Como reduzir emissões indiretas de energia?
Existem diferentes estratégias para reduzir as emissões associadas ao consumo de energia, variando conforme o perfil operacional e a forma de contratação energética da empresa. Entre as principais ações estão:
Eficiência energética
Modernização de equipamentos, automação de sistemas, melhorias na iluminação e otimização do consumo de eletricidade. Pequenas mudanças operacionais podem reduzir significativamente tanto as emissões quanto os custos energéticos ao longo do tempo, ao diminuir a demanda total de energia consumida.
Geração própria de energia renovável
Adoção de sistemas próprios, como painéis fotovoltaicos, reduzindo a dependência da eletricidade adquirida da rede. Nesses casos, a organização pode reduzir (e, em algumas situações, até zerar) as emissões associadas à energia consumida do SIN, refletindo diretamente na abordagem location-based.
Aquisição de energia renovável ou atributos ambientais
Empresas conectadas à rede elétrica podem contratar energia renovável no mercado livre ou adquirir certificados de energia renovável, como os I-RECs, quando aplicável. Embora o fornecimento físico continue ocorrendo pelo SIN, essas alternativas permitem associar o consumo energético a fontes renováveis rastreáveis, reduzindo as emissões reportadas na abordagem market-based, desde que atendidos os critérios metodológicos.
O Escopo 2 pode revelar oportunidades além da redução de emissões
Embora muitas organizações associem o Escopo 2 à contabilização das emissões indiretas de energia, sua análise também pode gerar benefícios operacionais e estratégicos.
Ao monitorar o consumo energético de forma estruturada, as empresas conseguem identificar desperdícios, avaliar oportunidades de eficiência energética, reduzir custos operacionais e tomar decisões mais alinhadas aos seus objetivos de sustentabilidade.
Além disso, compreender a origem da energia consumida e os impactos associados ao seu uso contribui para o fortalecimento de indicadores ESG, para a construção de metas climáticas mais consistentes e para uma maior transparência perante clientes, investidores e demais partes interessadas.
Em suma, o Escopo 2 pode servir como um importante instrumento para apoiar a transição para uma economia de baixo carbono.
Perguntas Frequentes
1. O que é Escopo 2?
O Escopo 2 corresponde às emissões indiretas de gases de efeito estufa (GEE) associadas à energia adquirida e consumida por uma organização. Essas emissões ocorrem durante a geração da eletricidade, vapor, aquecimento ou refrigeração utilizados pela empresa, embora sejam produzidas por terceiros.
2. Qual a diferença entre Escopo 1 e Escopo 2?
O Escopo 1 contempla as emissões diretas geradas pelas operações da própria empresa, como combustão em veículos, geradores e processos industriais. Já o Escopo 2 considera as emissões indiretas associadas à energia adquirida e consumida pela organização.
3. Toda empresa possui emissões de Escopo 2?
Na maioria dos casos, sim. Qualquer organização que consome energia elétrica fornecida pela rede ou utiliza energia térmica adquirida de terceiros possui emissões de Escopo 2 que devem ser consideradas em seu inventário de gases de efeito estufa.
4. Como calcular as emissões de Escopo 2?
O cálculo é realizado com base na quantidade de energia consumida pela organização e nos fatores de emissão aplicáveis.
5. O que significa location-based e market-based?
A abordagem location-based utiliza o fator médio de emissão do sistema elétrico que abastece a organização. Já a abordagem market-based considera a origem específica da energia contratada pela empresa, desde que existam mecanismos de rastreabilidade reconhecidos, como contratos de energia renovável ou certificados ambientais.
6. A energia solar reduz as emissões de Escopo 2?
Sim. A geração própria de energia renovável, como sistemas fotovoltaicos, pode reduzir significativamente as emissões associadas ao consumo de eletricidade da rede.
7. O que são os I-RECs e qual a relação com o Escopo 2?
Os I-RECs (International Renewable Energy Certificates) são certificados que comprovam a geração de energia a partir de fontes renováveis.
8. Por que monitorar as emissões de Escopo 2 é importante?
Monitorar as emissões de Escopo 2 ajuda as empresas a compreenderem melhor seus impactos climáticos, identificar oportunidades de eficiência energética, reduzir custos operacionais e fortalecer estratégias de descarbonização alinhadas às exigências do mercado, investidores e regulamentações ambientais.





