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Entenda o que é a ISO 14064

A ISO 14064 fortalece inventários de GEE com mais rastreabilidade e confiabilidade.
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A gestão climática corporativa passou por uma transformação nos últimos anos. Além de assumir compromissos ambientais, as empresas passaram a ser cobradas pela qualidade, rastreabilidade e confiabilidade dos dados climáticos que divulgam ao mercado.

Diante desse fato, metodologias reconhecidas internacionalmente ganharam ainda mais relevância justamente por ajudar empresas a estruturar dados climáticos mais consistentes, auditáveis e verificáveis. Entre elas, a ISO 14064 se consolidou como uma das principais referências para organizações que precisam estruturar um inventário de emissões de GEE com critérios técnicos, rastreabilidade e confiabilidade.

As atualizações publicadas entre 2018 e 2019 reforçaram ainda mais esse movimento, aproximando a norma das demandas atuais de governança, ESG e gestão climática corporativa.

O que é a ISO 14064

A ISO 14064 é um conjunto de normas internacionais que estabelece os princípios e requisitos para quantificar, monitorar, relatar e verificar inventários de Gases de Efeito Estufa (GEE).

Ela funciona como uma base técnica para empresas avaliarem sua pegada de carbono, comprovarem reduções e garantirem a credibilidade de suas metas climáticas.

A norma ajuda a definir critérios importantes relacionados à coleta de dados, limites organizacionais, metodologias de cálculo, documentação e processos de auditoria.

A ISO 14064 faz parte da família de normas ISO 14000, que se concentra em sistemas de gestão ambiental. Ela é dividida em três partes complementares:

  • ISO 14064-1: estabelece requisitos para contabilização das emissões.  É a parte mais relacionada ao desenvolvimento do inventário de GEE, abordando quantificação, elaboração de relatórios e gestão das emissões organizacionais.
  • ISO 14064-2: determina requisitos para projetos relacionados às emissões de gases de efeito estufa. Aqui também entram iniciativas ligadas a projetos climáticos, compensação e geração de reduções de emissões.
  • ISO 14064-3: define requisitos para verificação de conformidade à norma para planos de ação e projetos. Ela estabelece critérios relacionados à auditoria, avaliação e comprovação das declarações de gases de efeito estufa.

Embora cada parte tenha um objetivo específico, todas se conectam em um ponto central: aumentar a credibilidade das informações climáticas divulgadas pelas empresas.

Quais objetivos e benefícios da ISO 14064

A aplicação da ISO 14064 ajuda empresas a estruturarem processos mais organizados de gestão climática, reduzindo inconsistências e aumentando a confiabilidade das informações relacionadas às emissões de gases de efeito estufa.

A norma ainda contribui para que o inventário de emissões de GEE tenha maior clareza metodológica, fortalecendo a rastreabilidade dos dados e a capacidade de comprovação das informações apresentadas em auditorias, relatórios e certificações.

Além disso, a ISO 14064 contribui para benefícios como:

  • Maior organização dos dados climáticos;
  • Fortalecimento da governança corporativa;
  • Melhoria da qualidade metodológica do inventário de GEE;
  • Mais segurança em auditorias e verificações;
  • Integração das informações climáticas à estratégia da empresa;
  • Suporte a reportes ESG e exigências regulatórias;
  • Aumento da credibilidade das informações ambientais divulgadas.

Além de apoiar a mensuração das emissões, a ISO 14064 ajuda empresas a construírem, sobretudo, processos climáticos mais consistentes, verificáveis e alinhados às exigências atuais do mercado.

Por que a ISO 14064 continua tão atual

Durante muito tempo, falar sobre emissões era suficiente para demonstrar compromisso ambiental. Atualmente, o mercado espera algo diferente: dados climáticos capazes de demonstrar rastreabilidade, transparência metodológica e confiabilidade.

O que torna um inventário de GEE mais confiável?

A confiabilidade de um inventário de emissões está diretamente ligada à metodologia utilizada, à organização dos dados e à capacidade de verificação das informações. Por isso, normas reconhecidas internacionalmente, como a ISO 14064 e o GHG Protocol, ganharam relevância em processos de auditoria, certificação e reporte climático.

Isso acontece porque os dados relacionados às emissões passaram a influenciar decisões financeiras, reputacionais e estratégicas dentro das organizações.

Dessa forma, a ISO 14064 se destaca justamente por criar uma estrutura técnica capaz de dar mais segurança aos processos de gestão climática, reduzindo inconsistências e fortalecendo a qualidade das informações utilizadas em relatórios, metas e compromissos públicos.

Empresas que possuem processos mais organizados de coleta, monitoramento e verificação de dados conseguem responder com mais segurança a auditorias, reportes ESG, exigências regulatórias e demandas de mercado.

Além disso, a crescente discussão sobre IFRS S2, transparência corporativa e auditoria climática atestaram a necessidade de metodologias reconhecidas internacionalmente.

O que mudou nas atualizações de 2018 e 2019

As revisões mais recentes da ISO 14064, publicadas entre 2018 e 2019, não alteraram a essência da norma, mas modernizaram sua aplicação para um contexto corporativo, mostrando como a agenda climática corporativa amadureceu nos últimos anos.

As atualizações reiteraram os temas como:

  • Qualidade e rastreabilidade dos dados;
  • Emissões indiretas;
  • Alinhamento com frameworks internacionais;
  • Clareza metodológica;
  • Transparência nas declarações de GEE;
  • Critérios de validação e verificação.

Essas mudanças aproximaram ainda mais a norma das discussões atuais sobre governança climática e disclosure corporativo. Isso é especialmente relevante, uma vez que as organizações precisam integrar informações climáticas às suas estratégias financeiras, operacionais e reputacionais.

A atualização também alegou a importância de processos contínuos de monitoramento e gestão, reduzindo a visão de que o inventário de GEE é apenas uma entrega pontual.

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Qual a relação entre ISO 14064 e GHG Protocol

O GHG Protocol e a ISO 14064 não funcionam como metodologias concorrentes. Muitas organizações utilizam as duas referências de forma complementar na construção do inventário de emissões de GEE.

O GHG Protocol é amplamente utilizado como referência para estruturação do inventário de de GEE, principalmente na categorização dos Escopos 1, 2 e 3. Já a ISO 14064 contribui com critérios voltados à qualidade metodológica, rastreabilidade, documentação e verificação das informações.

Enquanto o GHG Protocol ajuda empresas a entenderem e organizarem suas emissões, a ISO 14064 fortalece a consistência e a confiabilidade dos dados utilizados nesse processo.

Por esse motivo, organizações que precisam atender auditorias, reportes ESG, certificações e exigências de cadeias de valor costumam buscar alinhamento entre as duas metodologias.

O que sustenta uma estratégia climática confiável

A evolução da agenda climática aumentou o valor estratégico dos dados ambientais dentro das empresas. Com isso, rastreabilidade, transparência e verificabilidade passaram a fazer parte da estrutura da gestão climática corporativa.

Na Carbon Free Brasil, essa visão faz parte da própria construção técnica das soluções desenvolvidas para inventário de GEE, compensação de emissões e certificação climática.

O alinhamento ao GHG Protocol e à ISO 14064 contribui para a confiabilidade metodológica dos processos, permitindo que empresas tenham maior segurança na mensuração, organização e comunicação das suas emissões.

Esse cuidado técnico também está diretamente conectado ao Selo Carbon Free®, que está associado a critérios de rastreabilidade, transparência e credibilidade, pilares cada vez mais relevantes em um mercado que exige comprovação das informações climáticas divulgadas pelas organizações.

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Avatar de Miedja Okada Braga
Pós-graduada em ESG pela ESPM, comunicóloga com MBA em Administração de Empresas com ênfase em Marketing pela Fundação Getulio Vargas e mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Possui mais de 20 anos de experiência em comunicação estratégica, com atuação em conteúdo e posicionamento institucional. Atualmente, trabalha na construção de narrativas e estratégias voltadas à agenda climática, conectando sustentabilidade, negócios e geração de valor para empresas.
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